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Morte de bebê levanta suspeitas de maus-tratos; mãe e cuidadora são levadas à delegacia

Equipe do SAMU estimou que a criança estava em parada há 20 minutos antes do primeiro contato; responsáveis teriam demonstrado indiferença
Por: Bernardo Roa - 05/05/2026 18:00min- São João Batista
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Um bebê de aproximadamente dois meses de idade morreu na madrugada desta terça-feira, 5 de maio, em São João Batista, após dar entrada no Hospital Monsenhor José Locks já em parada cardiorrespiratória. As circunstâncias da morte levantaram suspeitas de omissão de socorro e maus-tratos. Mãe e cuidadora foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.

 

Foto: Hospital Monsenhor José Locks/Reprodução

 

Comportamento que gerou suspeita

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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) recebeu o primeiro contato por volta das 3h50min, quando uma mulher ligou relatando que o bebê estava em parada cardiorrespiratória. A ligação, no entanto, gerou desconfiança inicial pois a comunicante aparentava estar dando risadas enquanto falava. A ocorrência chegou a ser tratada como possível trote.

Somente após um novo contato que a situação foi confirmada. Em uma chamada de vídeo feita pela médica plantonista do SAMU, constatou-se que a criança realmente se encontrava em parada cardiorrespiratória. Foram então repassadas orientações para início imediato das manobras de reanimação.

Estimativas da equipe do SAMU indicam que o bebê já estaria em parada há cerca de 20 minutos antes do primeiro contato telefônico.
 

Frieza e falta de interação com a criança

Durante o atendimento, a equipe de socorro relatou ter observado aparente falta de preocupação por parte das pessoas presentes no local. Os responsáveis demonstravam maior interesse em questões cotidianas, como o preparo de café e compromissos de trabalho, do que com o estado da criança. 

A mãe, segundo os socorristas, não demonstrava interação com o bebê. A cuidadora e os demais presentes mantinham um comportamento que foi descrito como sendo excessivamente calmo e frio.

 O fato do hospital ficar a aproximadamente cinco minutos da residência reforçou o estranhamento da equipe. O SAMU se deslocou ao bairro Ribanceira do Sul, em São João Batista, e transportou a criança até a unidade hospitalar.
 

Três ciclos de reanimação sem sucesso

O bebê deu entrada no hospital por volta das 5h15min, com as manobras de reanimação já em andamento pela equipe do SAMU. O médico responsável pelo atendimento registrou quadro grave: resfriamento cadavérico, ausência de reflexos, pupilas midriáticas e não reagentes à luz. 

Considerando que o SAMU já realizava as manobras há mais de 45 minutos, o médico constatou ausência de possibilidade de reversão do quadro. O óbito foi declarado às 5h30min.
 

Sinais de desnutrição e fenda palatina

Durante a avaliação médica, foram observados sinais compatíveis com desnutrição, como gradil costal exposto, presença de prega cutânea, baixo peso e mucosas ressecadas, todos indícios que apontam para uma possível situação de maus cuidados domiciliares, segundo o médico.

O perito destacou a existência de fenda palatina, micrognatia e crânio de tamanho reduzido, sinais que sugerem possível doença congênita ou síndrome genética, cujo esclarecimento depende de análise do histórico médico da criança e de documentos hospitalares.
 

As versões da mãe e da cuidadora

A mãe da criança informou que trabalhava no período noturno e havia deixado o filho sob os cuidados de uma outra mulher. Segundo ela, por volta das 4h recebeu ligação da cuidadora pedindo que fosse ao hospital, tomando conhecimento dos fatos somente quando chegou ao local.

A cuidadora, por sua vez, relatou que acordou por volta das 3h50min para alimentar o bebê e percebeu que a criança já se encontrava fria. Afirmou ter acionado a genitora e, em seguida, contatado o SAMU, ressaltando que a primeira ligação não foi atendida, e que foi somente no segundo contato, por chamada de vídeo, que recebeu orientações para as manobras de reanimação.
 

Conselho Tutelar e histórico da residência

O Conselho Tutelar foi acionado pelo hospital, pois a criança deu entrada sem estar acompanhada de um responsável legal. Ao verificar o endereço, o órgão constatou que já haviam registros anteriores de possíveis violações envolvendo a residência.

As circunstâncias do óbito e eventual responsabilidade por omissão de cuidado e possível ocorrência de maus-tratos serão apuradas pela Polícia Civil, com suporte de perícia técnica.

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