Com dois anos de carreira e apenas 17 anos de idade, Matheus Berlanda já é campeão brasileiro seis vezes e detém recordes nacionais em três provas do atletismo paralímpico. O jovem, que compete pela Fundação Municipal de Esportes (FME) de Balneário Camboriú, representa um dos casos mais expressivos do paradesporto catarinense com uma trajetória marcada por superação e conquistas que poucos atletas alcançam em tão pouco tempo.
Fotos: Prefeitura de Balneário Camboriú/Reprodução
A chegada de Matheus ao paradesporto não foi planejada. Aos 14 anos, enquanto atuava como jogador de basquete, o jovem fraturou o joelho esquerdo durante uma competição. No hospital, uma tala colocada na perna ficou apertada demais e bloqueou a circulação sanguínea.
“A minha perna ficou necrosada. Ela foi aberta no hospital, e passei por 12 cirurgias para tentar recuperá-la. Contudo, não deu certo e ela precisou ser amputada”, relatou o atleta.
Foi durante o processo de adaptação que ele descobriu a possibilidade de continuar no esporte. Ao entrar em contato com o treinador da FME, Caike Rovigo, foi apresentado ao atletismo e ingressou na escolinha de iniciação esportiva do município.
Nas competições, Matheus integra a Classe T63, destinada a atletas com amputação em uma única perna acima ou através do joelho, ou com limitação de movimento, e disputa as provas de 100 metros rasos, salto em altura e salto em distância.
Em apenas dois anos de prática, é o 2º melhor do Brasil nos 100 metros adulto e o 1º no ranking nacional no salto em altura e no salto em distância, ambos na categoria adulto. Detém ainda os recordes brasileiros nas categorias Sub-17 e Sub-20 nas três provas, além do recorde nacional adulto no salto em distância.
O momento mais marcante da carreira veio justamente nessa última prova, quando superou a marca de 5,15 metros e estabeleceu o novo recorde com 5,61 metros. “Quero fazer algo que ninguém nunca fez, mas não quero apenas ser visto, quero ser lembrado e ficar na história do esporte paralímpico e da minha nação”, afirmou.
Beneficiário do Programa Bolsa Atleta, Matheus destacou como o suporte é especialmente relevante para quem compete com equipamentos de alto custo, como as próteses utilizadas nas provas de atletismo.
“O programa tem uma importância muito grande para todos nós, principalmente para a aquisição de materiais de competição, especialmente para mim, que uso prótese de corrida. É tudo muito caro, e esse incentivo nos ajuda grandemente”, disse.
O próprio atleta resume o que o esporte representou em sua vida. “O esporte mudou a minha percepção de mim mesmo, das coisas que sou capaz, e também abriu portas para oportunidades incríveis”, avaliou.
Matheus também deixou um recado para aqueles que desejam iniciar no esporte mas se limitam pelo medo ou pelo preconceito:
“O medo de cair não pode ser maior que a paixão de voar. Nós, pessoas com deficiência, somos vistos com capacitismo e algumas pessoas se limitam por isso, acham que não podem fazer o que querem, mas todos nós, independentemente se temos alguma deficiência ou não, podemos ser o que quisermos.”
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