Em Santa Catarina, foram registrados oito feminicídios nos dois primeiros meses de 2026, cinco em janeiro e três em fevereiro, segundo dados do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina. O número já serve de pano de fundo para o lançamento, nesta segunda-feira, 30 de março, do Mapa do Feminicídio, iniciativa do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) voltada à compreensão aprofundada do crime no estado para orientar ações mais eficientes de prevenção e responsabilização.
O estado acumula 286 feminicídios e mais de 438 mil registros de crimes de violência contra a mulher entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, tendo uma média de 198,5 ocorrências por dia, ou 8,26 por hora. Somente em Tijucas, foram registrados 81 casos de violência contra a mulher nos dois primeiros meses deste ano, tendo como principais ocorrências a ameaça (38), seguida de lesão corporal leve dolosa (22) e injúria (9).
Um dos achados centrais do Mapa do Feminicídio é a identificação dos chamados "corredores do fenômeno feminicida”, concentrações geográficas de municípios com altas taxas de letalidade contra mulheres. Os destaques negativos estão no Grande Oeste, entre Xanxerê e São Miguel do Oeste, e no eixo que liga Lages a Curitibanos.
Fotos: MPSC/Divulgação
O levantamento conclui que o risco proporcional de uma mulher ser vítima de feminicídio é maior em municípios menores e de menor densidade demográfica. Ainda assim, em números absolutos, as cidades de maior porte continuam concentrando mais casos.
Os dados revelam que, embora o feminicídio atinja mulheres de todas as classes sociais, a intensidade do crime é maior entre aquelas na base da pirâmide socioeconômica: com renda de até cinco salários mínimos, baixa escolaridade e inseridas em contextos de precarização do trabalho.
O Mapa foi construído a partir da análise integral de processos referentes a mortes violentas de mulheres. "Aplicamos critérios técnicos e referências nacionais e internacionais para classificar cada ocorrência e verificar a presença de elementos de violência de gênero", explicou o promotor Simão Baran Junior, coordenador do Escritório de Ciências de Dados Criminais do MPSC.
A promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas, chamou atenção para as limitações ainda presentes no sistema de justiça. Protocolos internacionais reconhecem como feminicídio casos que envolvem violência sexual e desigualdades de gênero além do âmbito familiar, mas essa complexidade nem sempre se reflete nos registros brasileiros.
"Essas mortes muitas vezes recebem classificações diferentes, o que revela dificuldades na identificação do fenômeno em toda a sua complexidade", afirmou a promotora durante o lançamento oficial.
A Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, foi direta ao situar o papel do Mapa: "Hoje é dia de desconforto. A ideia é que nenhuma instituição saia daqui feliz consigo própria. Estes dados nos fazem olhar no espelho e ver onde estamos errando.".
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