A décima edição do Saragaço movimentou Bombinhas entre os dias 3 e 5 de julho, reunindo dez ranchos de pesca, mais de 700 voluntários e um público estimado em 5 mil pessoas na maior gincana cultural da pesca artesanal da tainha do estado. O marco histórico selou uma década de tradição construída pela própria comunidade.
Fotos: Renata Bastos/Saragaço
O grande campeão da edição foi o Rancho da Praia de Fora, que conquistou o título inédito após participar de todas as dez edições do evento. O prêmio de melhor torcida ficou com o Rancho Cantinho do Benjamin, reconhecido pela animação ao longo de toda a programação.
Para o capitão do Rancho da Praia de Fora, Rogério Altair Pinheiro, a conquista vai além do placar. "Participamos das dez edições do Saragaço e conquistar esse primeiro título é muito emocionante. Mais do que a vitória, essa festa representa o encontro dos ranchos e a oportunidade de manter viva nossa tradição da pesca da tainha", disse.
A gincana envolveu aproximadamente 50 provas, com início ainda em maio. Entre as disputas, estiveram a tradicional prova da tarrafa, a corrida de canoas de um pau só "Mar à Tona" e a prova "Tonto das Águas". A edição também incluiu desafios voltados à sustentabilidade, como o recolhimento de lixo eletrônico.
Além das competições, o público acompanhou apresentações musicais, shows e bailes na Praia de Bombinhas durante todo o fim de semana. A transmissão ao vivo pelo canal oficial do Saragaço levou a programação para outras regiões, e a edição contou, pela primeira vez, com tradução em Libras.
A praça de alimentação ficou a cargo de entidades do município, com destaque para pratos tradicionais como tainha frita em postas, tainha assada e ova de tainha frita, além do pastel de banana. A boa safra da tainha registrada neste ano contribuiu para o clima de celebração da comunidade.
Para quem chegou há pouco a Bombinhas, o Saragaço revelou o espírito do município. A chilena Jimena Besoain, moradora da cidade há um ano, disse ter se surpreendido com o alcance do evento. "Quando cheguei, pensei que fosse uma festa apenas dos pescadores, mas percebi que ela envolve toda a cidade. É emocionante ver o quanto as pessoas participam, torcem e mantêm essa tradição viva", afirmou.
Maria Júlia Emílio, da Associação Saragaço, vê na décima edição a confirmação de um propósito coletivo. "Chegar até aqui é a prova de que a comunidade acredita nesse propósito. O Saragaço é construído por muitas mãos e só existe por esse sentimento de pertencimento e união", destacou.
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