Com 90% da cota de captura atingida, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) encerrou, neste domingo, 7 de junho, a temporada de pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina.
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/ Arquivo/ SECOM
As capturas pela modalidade de arrasto de praia acumularam cerca de 1,2 mil toneladas de um limite autorizado de 1.332 toneladas. Com isso, o Governo Federal optou por forçar a suspensão antecipada das atividades, baseada na Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026.
As embarcações ainda em atividade no mar têm prazo de 24 horas para realizar o último desembarque do pescado.
A temporada iniciou em 1º de maio e costuma se estender até o fim de julho, período considerado o auge da passagem dos cardumes pelo litoral catarinense. Neste ano, entretanto, o limite legal foi alcançado em apenas 38 dias, um resultado acima da média histórica e que pegou parte das comunidades pesqueiras de surpresa.
Foto: Alvaro Fiore
A legislação prevê que a atividade pode seguir até 31 de dezembro ou até que 90% da cota coletiva seja atingida, o que ocorreu de forma antecipada nesta safra. Uma das maiores capturas do domingo foi registrada na praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas, no litoral norte catarinense.
O encerramento antecipado gerou reação imediata das Prefeituras de Porto Belo, Bombinhas, Itapema e Balneário Camboriú, que criticaram publicamente a decisão federal, apontando falta de diálogo com os municípios e impacto direto sobre famílias que dependem da pesca artesanal como principal fonte de renda.
O prefeito Joel Lucinda, de Porto Belo, classificou a medida como uma surpresa, destacando que a suspensão foi anunciada justamente quando os cardumes começaram a chegar à região.
Segundo ele, muitas embarcações sequer haviam começado a apresentar capturas expressivas quando a atividade foi interrompida.
Em Bombinhas, o prefeito Alexandre da Silva e seu vice Tonho Olímpio lamentaram o efeito sobre a economia e a cultura local, ressaltando que a pesca artesanal da tainha é uma tradição histórica da região.
Além de criticar o atual sistema de cotas aplicado à modalidade, o prefeito defendeu uma revisão das regras para as próximas temporadas.
O prefeito Alexandre Xepa, de Itapema, foi além e questionou o próprio processo de tomada de decisão, afirmando que a medida federal foi adotada sem consulta prévia aos municípios e às comunidades diretamente afetadas.
Juliana Pavan, de BC, disse que a decisão do governo federal foi tomada de forma "intempestiva". Pavan também demonstrou preocupação pelos impactos que serão gerados às comunidades pesqueiras e à economia local.
O MPA informou que a suspensão tem caráter preventivo e foi baseada nos dados consolidados das Declarações de Entrada de Tainha registradas pelas empresas pesqueiras. O órgão reforçou que a decisão segue os critérios estabelecidos pela lei vigente, sem margem para flexibilização enquanto a cota não for revisada.
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