Salários atrasados há pelo menos quatro meses motivaram uma greve de vigilantes terceirizados que paralisou o Presídio Regional de Tijucas na quarta-feira. Sem profissionais para cobrir as muralhas e controlar o acesso à unidade, as visitas foram suspensas e os pátios, fechados.
O movimento, protagonizado por empregados da empresa Segplus, contratada para a segurança perimetral dos presídios catarinenses, também atingiu unidades penitenciárias em Joinville e Florianópolis.
Os trabalhadores relatam que salários, horas extras e vale-refeição estão atrasados há pelo menos quatro meses. Ernesto, vigilante com três anos e meio de atuação na unidade de Tijucas, foi um dos que aderiram à paralisação e detalhou a situação.
Fotos: Acervo VipSocial
"Já faz quatro meses que a nossa empresa vem prometendo regularizar os pagamentos. Tem muita gente que faz hora extra e não está recebendo. O fiscal vem aqui, pede apoio, pede ajuda. E esse mês veio mensagem da empresa dizendo que o governo não está fazendo o pagamento, que eles não têm condições de pagar os funcionários e que não sabem nem quando vão conseguir pagar", afirmou o agente penitenciário.
Outro vigilante que participou do protesto reforçou o impacto direto da paralisação na operação da unidade: "Sem vigilante, a cadeia não funciona. O presídio está fechado porque os vigilantes estão sem salário, sem horas extras e sem vale-refeição. Não vai ter visita hoje, os pátios foram todos fechados porque não tem ninguém para subir as muralhas nem para cuidar da entrada e saída."
No centro do impasse está uma contradição entre as versões da Segplus e do governo estadual. Segundo os próprios vigilantes, a empresa enviou uma mensagem ao grupo de WhatsApp da equipe atribuindo os atrasos à falta de repasse do estado e afirmando não saber quando conseguiria quitar os valores pendentes.
Entretanto, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) informou que todas as faturas emitidas até junho de 2026 foram quitadas conforme o cronograma do Tesouro Estadual, sem registros de atrasos nos repasses já processados. A pasta sustenta ainda que questões ligadas ao pagamento dos colaboradores das empresas contratadas são de responsabilidade exclusiva das prestadoras de serviço.
Os vigilantes comentaram sobre essa contradição: "A empresa emitiu uma nota dizendo que não teria recebido parte do pagamento. Mas conversando com o policial responsável pela inteligência do presídio, ele nos comunicou que o governo emitiu uma nota dizendo que os pagamentos estão todos em dia. Um diz que pagou, o outro diz que não recebeu e nós estamos aqui sem pagamento."
Nas unidades onde os vigilantes abandonaram os postos, policiais penais assumiram as guaritas e as muralhas em regime de contingência. Em Joinville, a situação foi semelhante, com manifestação em frente ao presídio regional na mesma semana. Na Penitenciária da Agronômica, em Florianópolis, uma faixa foi estendida pelos trabalhadores cobrando providências.
A SEJURI afirmou que o estado está tomando todas as medidas administrativas cabíveis. Os vigilantes, por sua vez, disseram que a paralisação segue até que haja uma resposta concreta e definitivaa, seja da Segplus, da secretaria ou do governador Jorginho Mello.
"Viemos para trabalhar. Todos estão aqui para trabalhar, mas não temos salário, temos família. Estamos esperando essa resposta", concluiu um dos participantes do protesto.
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